quarta-feira, 30 de abril de 2014
Itália - Conegliano
A manhã passada em Conegliano não foi programada. Devido à greve de comboios daquele dia não conseguimos voltar a Veneza e acabámos por ficar em Conegliano. E muito bem, porque a zona era bonita, ainda para mais potenciada pelo sol de inverno que por ali brilhava.
Andei entretido com o exercício de desenho proposto, a percorrer as ruas e desenhar uma espécie de mapa do local em formato banda desenhada até chegar ao castelo no alto.
No final deu para provar um dos melhores gelados que já comi, senão o melhor (não o desenhei com medo que derretesse).
terça-feira, 29 de abril de 2014
Itália - Veneza
Já no caminho de saída em Veneza ainda me encostei a uma fachada para queimar o último cartucho, uma vez que ainda não tinha desenhado nenhuma ponte nem canal.
Mais tarde a chuva começou a cair e houve alguns elementos que não consegui incorporar, mas ainda me abriguei debaixo de uma varanda para escrever o nome do local.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Itália - Veneza
Depois do último desenho deambulei ainda um pouco pelas ruas mais sossegadas de Veneza. Até que entrei num espaço sem saída (aliás, tinha 2 saídas directamente para os canais) onde encontrei algo curioso: existia um sistema de estendais ligados entre fachadas opostas, que serviam ambos os edifícios, ou seja, "o meu estendal é o estendal do meu vizinho". E lá estava alguma roupa pendurada. Imagino que o complicado seja quando lavam a roupa ao mesmo tempo.
Gostei muito deste espacinho, muito sossegado. Infelizmente já estava com o tempo apertado e não pude colorir os desenhos. Teria gostado de o fazer, pelo menos no desenho da esquerda.
De seguida dirigi-me à praça de São Marcos, por ruas cada vez mais cheias de pessoas, quase ao ponto de se tornar sufocante. Quando cheguei à praça fiquei abismado, não pela sua grandiosidade mas pela lembrança que me trouxe do metro à hora de ponta. A barulheira era quase infernal e não se conseguia andar 2 metros em linha recta sem se ter que pedir licença ou levar um encontrão. Acabei por desenhar a praça rapidamente só para registar que estive lá, mas não me deixa boa memória.
Pelo meio ainda desenhei um confessionário no interior da igreja, no âmbito do exercício de desenho daquela tarde.
domingo, 27 de abril de 2014
Itália - Veneza
Quando cheguei a Veneza apanhei um susto enorme: a multidão era imensa. Confesso que sou um pouco esquisito em relação a multidões e tenho uma grande tendência para as evitar. Mas por ali havia mesmo muita gente.
Comecei a percorrer as ruas quase em fila indiana, até que comecei a enfiar-me pelos cantos e recantos onde não via ninguém. Acabei por atravessar uma ruela apertadinha, daquelas que não têm mais do que 1 metro de largura e cheguei a este espaço.
E depois do choque inicial acabei por ficar neste local cerca de 2 horas a desfrutar um dos melhores momentos de urban-sketching que tive nos últimos tempos. Almocei também por ali, no meio tempo entre o traço a caneta e a pintura.
Enquanto ali estive senti-me inserido naquele ambiente e me fui apercebendo de diversos pequenos momentos que por ali aconteciam, à medida que os seus sons e cheiros me iam chegando, desde o isqueiro do fogão de alguém que foi cozinhando o almoço, passando pelo entusiasmo na voz de quem entoava a musica que enchia a rua, até à criança que apareceu a correr, parou para ficar uns minutos a olhar para o desenho a crescer e desapareceu a correr tão depressa como chegou.
sábado, 26 de abril de 2014
Itália - os comboios
Esta manhã foi especialmente dedicada aos comboios. Era dia de visitarmos Veneza e a distância entre Vittorio Veneto e Veneza ia ser vencida pelo caminho de ferro. Quando cheguei à estação (era mais um pequeno apeadeiro) fiquei pasmado: a linha do comboio estava praticamente rodeada de um verde luxuriante que fazia com que o comboio parecesse sair de uma floresta quase encantada. A norte até se podia ver uma torre do castelo ao longe.
Nem pensei quando peguei no caderno... faltava já pouco tempo para a partida, as eu queria mesmo era desenhar aquele cenário. Não tenho certeza do tempo, mas não foram mais do que 5 minutos enquanto fazia do desenho da esquerda até aparecer o comboio. Foi o suficiente para o traço a caneta e depois fui entretido a pintar na viagem.
Mais à frente tínhamos que fazer uma troca de comboio em Conegliano. Era uma estação bem mais convencional, uma espécie de "Entroncamento" numa escala mais pequena com a derivação de muitas linhas.
Estava tão entusiasmado com os comboios que quis repetir a sensação do desenho.
Quando comecei o da direita o comboio não estava lá, chegou a meio. Foi um exercício engraçado tentar incorporá-lo nas linhas que já tinha feito para retratar a perspectiva da pala da estação e postes.
No caminho vi uma locomotiva com umas cores fantásticas, mas que infelizmente não consegui fotografar nem tão pouco desenhar. Fica apenas retida na memória.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Itália - Prosecco e Torta di Rosa
Num final de tarde tivemos oportunidade de visitar a mais antiga adega produtora de Prosecco na zona de Veneto, imutável desde 1920. Fomos muito bem recebidos e ofereceram-nos uma degustação do vinho branco espumante. É bom, não há dúvida, mas não senti grandes diferenças em relação a outros espumantes que podemos beber por cá.
Aproveitei também a oportunidade para treinar mais alguns retratos.
Na sobremesa do jantar serviram um bolo do melhor que tenho experimentado. Simplesmente não conseguia parar de comê-lo. Quem estava ao meu lado já me provocava a pô-lo à minha frente e eu não resistia. E não era o único, aquela zona de mesa deu um belo desbaste no bolo. Era uma espécie de pão de ló bem molhadinho, ligeiramente caramelizado na cobertura.
No dia seguinte dei os parabéns à Valeria (a senhora que fez o bolo) e pedi para me assinar o caderno e escrever o nome do bolo: Torta de Rosa.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Itália - Treviso
Conheci muito pouco de Treviso. Praticamente foram apenas algumas ruas que percorri, já que fiquei muito tempo parado no mesmo local.
De qualquer forma deu para desenhar junto ao rio que atravessava a cidade e algo que me surpreendeu foi a cor turquesa da água. Já no caminho ao passar numa ponte sobre um rio me apercebi das mesmas cores. Não sei se era o mesmo que atravessa Treviso, mas de qualquer forma nunca tinha visto tal azul numas águas.
Na cidade havia muitas, mesmo muitas bicicletas. Em todas as esquinas e recantos se encontravam parques cheios delas.
Gostei desta, também com a sua cor peculiar. Enquanto desenhava estava um grupo de 3 homens, 1 deles policia, sempre a pôr-se entre mim e a bicicleta.
Mais tarde o policia veio perguntar-me se eu era artista. Achei por bem responder que sim, não fosse ele pensar que eu estava a elaborar um plano para roubar a bicicleta.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Itália - Asolo
Asolo é uma vila pacata, bonita e arranjadinha, daquelas onde apetece passar vários dias a desenhar. Não foi o caso, fiquei por lá só uma manhã.
Quando cheguei reparei que a vila tinha um castelo e, como habitualmente, lá fui à procura do ponto alto.
para lá chegar era preciso subir umas escadas que pareciam intermináveis em redor do monte, que a certa altura passavam para uma espécie de ciclovia em alcatrão e se transformavam novamente em escadas até ao topo.
Lá em cima o castelo é fraquinho... só tem umas ameias e um poço ao centro, mas a vista era enorme. 360º com as montanhas a norte e a planície a sul.
Desta vez consegui conter a ambição de querer desenhar vistas largas e acabei por me sentar no muro à porta do castelo para um desenho mais controlado.
Na descida pelas escadas já estava quase atrasado para a hora do encontro, mas não resisti a sentar-me rapidamente e desenhar mais um pouco, cativado pela perspectiva das escadas e do campanário em segundo plano.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Viagem a Itália
E chegou a hora da viagem a Itália. Desta vez propus-me a compor as páginas de forma diferente, em jeito de diário de viagem e com escrita, algo que raramente tenho feito.
O caderno tinha as maiores dimensões que alguma vez experimentei (20x20cm), o que facilitou as brincadeiras com a composição de página.
Finalmente consegui desenhar no interior de um avião. Já tinha ouvido mais do que uma vez que sketcher que se preze tem que ter pelo menos 1. Como também queria desenhar mais pessoas foi uma boa altura para avançar, embora o meu modelo, apesar de confinado ao banco do avião, estivesse um pouco irrequieto.
Em Vittorio Veneto já devidamente instalados tivemos a primeira de muitas refeições deliciosas. Nem sempre soube o que estava a comer, mas nunca comi nada que não me soubesse bem.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Ao fundo a ponte
Como normalmente gosto de antecipar possíveis imprevistos naquela manhã cheguei um pouco mais cedo ao local da consulta, o que quer dizer que tive ainda cerca de 15 minutos para passar o tempo. E que melhor forma de o fazer do que abrir o caderno e desenhar.
Estava frio naquela zona à beira rio, por isso fiquei no carro, olhei para a frente e escolhi este ângulo para encaixar no caderno pequenino.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Porquê
Não consigo explicar o que me faz fazer um desenho e como o faço. É algo por impulso: a decisão do local e a decisão da técnica. Não tem explicação. Por vezes olho para desenhos anteriores e pergunto-me o que é que me levou a fazer isto desta forma. E não consigo responder. Mas gosto da sensação... ajuda-me a compreender que efectivamente cada desenho que faço é único no espaço e no tempo.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Nas últimas
Mais uma porta. Esta aparenta estar nos seus últimos dias, pendurada apenas por uma das dobradiças, e já nem cumpre a sua função de fechar um espaço.
Mas ainda tem capacidade para atrair um olhar curioso pelas suas cores e texturas.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Cabos
Depois de uma curta pausa para uma viagem a outras paragens, e ainda antes de iniciar a partilha do resultado da viagem no caderno, há ainda tempo para um desenho feito pela estrada fora mas desta vez sem o asfalto à vista.
As experiências e busca de simplificação mantêm-se.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Porta
Mais uma porta do pequeno largo em São Domingos de Carmões. Neste caso optei por deixar a porta a preto e branco para dar algum realce ao desenho no vidro feito com a caneta cinzenta.
O curioso aqui é a faixa verde na base da escada, que não estou habituado a ver. As cores mais convencionais para nestes casos são o azul e o amarelo. Aqui parece que misturaram os 2 e pintaram com o verde resultante, que actualmente já está um pouco desgastado.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Casario ao alto
Há muito, mesmo muito tempo que este desenho estava prometido. Por muitas vezes passei por este casario a recortar o céu no cimo do monte, e em todas elas prometia um desenho. Até que deixei de passar por ali e parecia que a promessa ficaria por cumprir.
Por isso, quando por acaso tive que fazer aquele percurso novamente, não hesitei em parar um pouco e finalmente passar o casario para o caderno. Até calhou bem porque os dias de sol estavam a começavam a aparecer e as sombras da manhã brincavam por ali.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O resto do muro
O bocado que falta ao muro deste portão aparece no desenho do último post.É uma espécie de continuação, agora com uma vista mais alargada para a estrada.
domingo, 6 de abril de 2014
O mostrurário
Quando estava sentado no carro apercebi-me desta cena que parecia uma espécie de mostruário de elementos que podemos encontrar na berma da estrada: um muro em pedra aparelhada, um poste de madeira, uma planta, um poste de betão e um muro branco.
Achei curioso estarem ali, todos de seguida, e lembrei-me de um quadradinho que fizesse lembrar uma banda desenhada, que seria lido da esquerda para a direita, obrigando quem o observasse a passar por todos estes elementos, um por um.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O cão guerrilheiro
Já aqui relatei em um ou outro desenho o que é ter um cão constantemente a ladrar para o carro enquanto estava a desenhar. Aqui voltou a acontecer, mas neste caso com uns requintes de camuflagem.
Eu bem que rodava a cabeça sem sucesso a tentar perceber de onde é que o cão lançava o seu ladrar enervante, até que lá detectei parte da sua cabeça atrás de umas plantas, que por sua vez estavam semi-ocultas por um muro.
E por ali se manteve, como que numa operação militar na selva, a lançar umas granadas aos meus ouvidos e a esconder-se de seguida, não fosse eu lançar-lhe uma granada de volta.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O campo (de futebol)
Mais uma estrada sem saída, como muitas outras que há por aí. Diz-se sem saída porque de repente o asfalto acaba e é substituído por um trilho em terra, que eventualmente irá ter a qualquer lado. Mas isso seria uma história para uma viatura mais preparada para essas andanças.
O portão dá acesso a um (antigo) campo de futebol que com certeza já não vê uma bola há algum tempo. Vê sim as ervas a crescer no seu dorso, que mais cedo ou mais tarde formarão um campo verdejante onde só os ferros das balizas indiciarão outros tempos, armados em peças de arqueologia.
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