sábado, 24 de setembro de 2016

São Cosmado XI


Esta casa está fechada há muito, muito tempo. Nem me lembro de algum dia a ter visto habitada. Apesar disso nunca a tinha visto deste ângulo, porque para tal é preciso atravessar o portão de entrada na quinta. Este ano perdi a vergonha e decidi fazê-lo, movido pela curiosidade de ver a casa.
A tarde já ia adiantada e sentei-me à sombra no banquinho, a desenhar sossegadamente, no silêncio do local.

E este foi e vai ser o meu último desenho em São Cosmado. A casa dos meus avós (que agora pertencia aos herdeiros) foi vendida e assim, ao fim de 39 anos, vou ter que encontrar outro local para passar as férias de verão daqui em diante.
Nestes últimos anos fiz cerca de 100 desenhos em São Cosmado. Talvez um dia os compile num livro.

5 comentários:

Paulo J. Mendes disse...

Era uma boa ideia ver estes desenhos compilados num livro; Pelo menos um comprador estava garantido :)
Fico a torcer para que a venda da casa não seja o fim dos desenhos em São Cosmado, ou alguma das aldeias em redor.

Manuela Rolão disse...

Acabaste em beleza. Todos os desenhos que tenho seguido são exemplares: o local é (deve ser) lindíssimo e a tua técnica é irrepreensível. O livro já é um objetivo, o que me deixa contente. É pena a casa não ficar na família. Quem sabe o comprador se interessa pelo teu trabalho gráfico invulgar e te faz uma proposta de regresso regular a S. Cosmado! Um abraço!

L.Frasco disse...

Pois é, Filipe, vou ter saudades dos teus desenhos de São Cosmado. E das tuas memórias que, através deles, partilhas connosco. Dá para imaginar tanto que vais deixar lá...
Sem dúvida que o livro seria uma maneira de perpetuar essa tua relação com São Cosmado. Força aí!!

Filipe Almeida disse...

Obrigado a todos. É como se tenha fechado uma porta, mas todas as memórias do outro lado mantêm-se e manter-se-ão vivas.
Sinceramente acho que me custaria lá voltar e por agora não tenho vontade, mas nunca se sabe o que o futuro nos reserva. E espero que o futuro me reserve o tal livro de São Cosmado.

Henrique Vogado disse...

O livro que avance que seria uma bela homenagem a uma terra que te acolheu e que nos deste a conhecer nos teus cadernos. E são muito bons!
Estou-me a recordar um panorâmico que fizeste sentado num muro junto à estrada.